17 de nov de 2008

Carne Orgânica

Consumo consciente: preocupação com a dieta saudável e com a sustentabilidade da Terra. Ou seja: SAÚDE !


As carnes com certificação orgânica oferecem algumas vantagens nutricionais. E que bichos orgânicos são esses?


São animais que, desde o nascimento, recebem rações com matérias-primas livres de agrotóxicos, adubos químicos, antibióticos ou hormônios de crescimento. E, com exceção das vacinas, obrigatórias, nada do que é usado nos tratamentos veterinários pode ter ingredientes sintéticos. Se adoecem, só são permitidos remédios fitoterápicos e homeopáticos.
Os criadores também devem ficar atentos no bem-estar desses bichos, ressalta o agrônomo José Pedro Santiago, diretor do Instituto Biodinâmico, o IBD, um dos principais órgãos certificadores da origem, dos cuidados e da qualidade da criação. Por isso obedecem a uma série de cuidados envolvendo o local onde ficam os animais com muita sombra e água fresca, literalmente e até mesmo o transporte para o abatedouro, que deve estar próximo das fazendas para não provocar estresse.


O agrônomo Moacir Roberto Darolt, do Instituto Agronômico do Paraná, exemplifica: Enquanto as galinhas das granjas comuns passam a vida confinadas em minúsculos espaços, as orgânicas ficam ao ar livre durante o dia, ciscando atrás de insetos e minhocas. Segundo esses especialistas, as condições mais adequadas se refletem na qualidade nutricional da carne.


Segundo a WWF-Brasil, que incentiva a produção de bovinos orgânicos no Pantanal Mato-Grossense, nas fazendas certificadas é proibido o uso de fogo para manejar as pastagens isso contribui para diminuir a emissão de gás carbônico. Tampouco são permitidos fertilizantes e pesticidas que contaminam o solo e os rios.
Sem contar que a concessão da certificação está condicionada à recuperação das áreas degradadas e à preservação das nascentes e das matas ciliares. Também estamos motivando os proprietários para criar as chamadas reservas particulares do patrimônio natural, unidades de conservação privadas e perpétuas, conta o veterinário Ivens Domingos, que coordena o programa no Pantanal.


Quanto ao consumo de carnes, porém, só 1% da venda se refere à criação orgânica. Talvez porque a relação custo-benefício não esteja tão clara. Por enquanto sabe-se que, quando os animais são criados livres e recebem uma dieta mais natural, alguns componentes nutricionais são alterados.


No caso dos frangos orgânicos, uma pesquisa feita pela Universidade Metropolitana de Londres mostra que eles contêm 25% menos gorduras saturadas do que aves convencionais e uma concentração 38% maior de ômega-3, uma das chamadas gorduras do bem. Mas geralmente as maiores diferenças têm a ver com os micronutrientes, que são as vitaminas e os minerais, diz a nutricionista Elaine de Azevedo, professora da Universidade Sul de Santa Catarina. "Nos ovos há uma maior concentração de vitamina A e de cálcio", exemplifica ela, que é autora do livro Alimentos Orgânicos, da Editora Unicsul.


No leite orgânico os benefícios parecem ser ainda maiores. Uma revisão de estudos conduzida na Itália aponta um salto de 68% nos níveis de ômega-3 e um considerável aumento nos índices de vitamina E e do antioxidante betacaroteno, que é transformado pelo corpo em vitamina A.


Outra pesquisa, desta vez americana e publicada na revista The Stockman Grass Farmer, revela que a quantidade de ácido linoléico conjugado, um composto de comprovada ação anticancerígena, está presente de 300% a 500% mais na carne e no leite de bois criados em regime de pastagem livre.

Um comentário:

Mimirabolante disse...

Interessante esta sua postagem......