30 de abr de 2009

Parque Lage Urgente !

anelamento



A situação é calamitosa no Parque Lage: As jaqueiras centenárias do parque vêm sendo assassinadas por anelamento ! A marca de administradores covardes a quem falta coragem para enfrentar a opinião pública de machado ou moto-serra em punho.
Por trás dos crimes há uma lógica perversa, que condena as jaqueiras por não serem árvores nativas e por ocuparem o espaço da flora autóctone. Ora, para começo de conversa, o Parque Lage, tal como o conhecemos, não tem nada de autóctone: é um jardim exótico, plantado de acordo com os caprichos do antigo proprietário. Não apenas isso, mas também um jardim tombado, no bom sentido da palavra. Se formos pôr abaixo todas as plantas exóticas do Rio, que tal começar pelo Jardim Botânico, logo ali ao lado? Daria um estacionamento que só vendo.
Além disso, por prolíficas que sejam as jaqueiras, não posso acreditar que seja através da execução em massa de árvores adultas que se faça reflorestamento; muito menos através do anelamento, um corte cruel em torno do tronco que mata a planta de fome, lentamente. Enquanto agoniza, a árvore assim ferida fica mais frágil e suscetível a toda espécie de pragas –- que, por sua vez, podem se espalhar por outras plantas e destruir áreas inteiras de florestas. Para o IBAMA, o assassinato sistemático dessas antigas e belas árvores frutíferas atende pelo nome de “manejo”.
Enquanto as jaqueiras morrem no arvoricídio promovido pelo governo, o resto do Parque Lage mal se sustenta. E, ainda assim, graças ao admirável trabalho voluntário de cariocas que de fato amam a natureza e a sua cidade.

Outro problema:
O Ibama notificou a médica aposentada Preci Groh-mann a deixar a Casa Amarela do Parque Lage. O problema é que lá é o último local onde ela ainda pode deixar água e ração para os gatos comerem. Preci, que há mais de dez anos cuida dos mais de 40 gatos do parque, alerta que eles vão morrer de fome e de sede se a medida for cumprida. — Eles vão morrer de fome e de sede. Eu não posso deixar os pratos de água e de ração no parque, porque o Ibama proibiu. Agora eu também não vou poder alimentá-los dentro da casa? Isso é extermínio — acusa ela. Ricardo Calmon, chefe do Parque Nacional da Floresta da Tijuca, diz que a médica pode continuar alimentandos os bichanos, desde que dentro das normas do parque: _ Ela pode ir lá, alimentar, e depois recolher os potes. O que não pode é deixar aquele monte de potes e caixas de papelão com comida para animais largados por lá.



O Globo, Segundo Caderno, 30.4.2009

3 comentários:

Mimirabolante disse...

Parabéns pela brilhante postagem.....Ficou magnífica.....peguei as fotos p/ poder repassar....vamos ajudar a Dra. Preci Haydée Grohmann , pois estaremos ajudando a uma infinidade de pessoas e animais.....Alguém, tem que deter estes desmandos.....assim não podemos mais ficar,vamos nos unir como fizemos agora....agradeço vc ter atendido ao meu apelo.....fez mais até do que pedi.....fez de maneira brilhante....me orgulho de ser sua amiga blogueira......bjs...

Neca Marques disse...

Olá!
Fiquei estarecida com o que li neste post. Estou fazendo pós em Meio Ambiente e Sustentabilidade e ouço derrubamento e proibições a alimentação aos bichanos. Para que serve o IBAMA, afinal?
Aki no Sul havia uma senhora que pegou o seu mini sítio herdado para cuidar de animais em extinção ou caçados ilegalmente. Tratava bem capivara,caturitas, entre outras espécies que lhe foram enviadas com papeis carimbados pelo IBAMA. E o próprio IBAMA recolhe todos alegando que ela não tinha doc (desde 1998 ela vem tentando autorização) e lhe deu multas absurda por ter cada especie em seu poder. Podemos com isso?
Se deixa o bichinho morrendo não tem coração se socorro é penalizado por não ter licença.
bjks.

Mimirabolante disse...

Para vc ver né Neca ?Até ajudar é difícil.....